O jardim da Noémia
(Brandoa)
Ao redor da Árvore das crianças adultas
Há uma roda que tem dentes de homem,
Um escorrega que é uma lâmina que finda em queda,
Areia molhada com as cores da mentira.
Ao redor da Árvore das crianças adultas
Há um brinquedo de pneus que esconde braços plantados com seringas,
Um lago que borbulha de abortos de princesas,
Banquinhos vermelhos onde se sentam os mortos.
Subo a rua que tu desces.
Desço a rua que tu sobes.
Disparo balas com os dedos
Que te ferem de morte.
Os teus lábios vermelhos
São o meu primeiro rebuçado de sangue
E quando me apertas
Sinto que não me queres mal.
As coisas que disseste ao ouvido da minha boca são as coisas que
me irão fazer subir à Árvore das crianças adultas e nunca mais
descer para ao pé dos outros.
Fernando Ribeiro, Diálogo de Vultos, Quasi
Fernando Ribeiro nasceu em Lisboa a 26 de Agosto de 1974. Cresceu na Brandoa e estudou Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa. É vocalista e letrista da banda Moonspell. Publicou três livros de poesia: Como Escavar um Abismo (2001), As Feridas Essenciais (2004), e o Diálogo de Vultos (2007). Escreveu as introduções para Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft, editado em 2005, e traduziu para português a biografia em BD Lovecraft. Escreve ainda para a revista de metal portuguesa LOUD! a coluna mensal intitulada The Eternal Spectator.
• 1575 - A Quinta da Brandoa é habitada pelo Sr. Jerónimo Vaz Brandão e sua filha Maria Brandoa.
• 1756 - Habitam a Quinta o Desembargador Luís de Oliveira, D. Leocádia Maria Joaquina, José Manuel Oliveira e o Padre Manuel Caetano.
• 1836 - Vêm habitar a Quinta da Brandoa Henrique Pinto da Mesquita e sua mulher D. Catarina Antónia de Matos
• 1842 - D. Catarina, já viúva, permanece a viver, na Quinta da Brandoa com seus filhos, Francisca Adelaide e Diogo Pinto de Mesquita.
• 1857 - Na Quinta permanecem D. Diogo e quatro criados
• 1890 - A Quinta é habitada por Manuel Afonso Sampaio e Melo e D. Maria das Dores de Pina Mesquita.
• 1941 - Eduardo Augusto Freitas adquire a Quinta da Brandoa, em nome do seu filho menor, Alberto de Freitas, por 180.000$00.
• 1958/59 - Ainda na posse dos Freitas, a Quinta é hipotecada à União Continental, por 800.000$00.
- É dado início ao loteamento ilegal da Quinta da Brandoa
• 1960 - Início do processo de construção clandestina.
• 1961 - A Câmara Municipal de Oeiras publica anúncios nos jornais e editais, alertando para o facto de toda a construção na zona da Brandoa ser clandestina e se encontrar por isso, sujeita a demolição.
• 1962 - Devido ao aumento da construção clandestina (já cerca de 360 construções existentes), a Câmara Municipal de Oeiras propõe, pela primeira vez, a urbanização desta área.
• 1963/64 - Publicação de editais convidado à legalização das construções.
• 1968 - O Eng. Burney de Medonça procede ao levantamento topográfico, estabelecendo um projecto de arruamentos e saneaento básico.
- A Câmara municipal de Oeiras publica novo edital com o objectivo de promover a legalização.
• 1969 - Desmoronamento de um prédio de seis andares.
- A partir desta data a Brandoa é o centro das atenções das entidades públicas e órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros. As entidades camarárias e governamentais são então chamadas a “responder“ pelo desenvolvimento de um bairro clandestino com as dimensões da Brandoa. A Câmara manda embargar todos os prédios em construção. A Brandoa passa então a ser denominada o “maior bairro clandestino da Europa”.
• 1970 - A Câmara Municipal de Oeiras convida o Gabinete de Planeamento e Arquitectura a elaborar um plano urbanístico para a zona da Brandoa
- Aumenta o regime de sublocação e a construção de anexos.
• 1971 - Acção reivindicativa da "Comissão de Moradores" junto da Câmara Municipal de Oeiras e Governo.
• 1972 - O Ministério das Obras Públicas inicia as obras de saneamento básico.
• 1973 - É constituído o Gabinete do Plano da Brandoa que faz o levantamento do cadastro da propriedade e que classifica os edifícios com vista à execução de obras.
• 1974 - É recuperado o Plano de Urbanização Brandoa/Falagueira elaborada entre 1962 e 1972 e que nunca havia sido posto em prática.
- Cessa funções o Gabinete do Plano da Brandoa sem que se tenha efectuado o estudo da verificação da estabilidade dos edifícos.
• 1975 - Realizam-se as primeiras eleições para a Assembleia Constituinte
- Surgem Comissões de Moradores activas.
• 1976 - É criado o Comissariado do Governo para a região de Lisboa - zonas clandestinas e degradadas.
• 1977 - É criado o Gabinete da Brandoa/Falagueira.
- O LNEC elabora um estudo para avaliação das condições de estabilidade da construção clandestina.
• 1979 - Criação do Município da Amadora.
• 1980 - Dia 22 de Fevereiro - Tomada de posse da primeira Junta de Freguesia da Brandoa e consequente criação da Freguesia, composta por sete bairros (11 de Março, Azinhaga dos Besouros, Brandoa, Casal de Alfornelos, Quinta da Lage, Rua de Alfornelos e Urbanização de Alfornelos).
• 1997 - Dia 12 de Julho - Criação de três novas freguesias no Município da Amadora (Alfornelos, São Brás e Venda Nova). Com a reestruturação das freguesias do Munícipio a Freguesia da Brandoa fica apenas constituída por três bairros (Brandoa, Casal de Alfornelos e Rua de Alfornelos)
• 1999 - Instalação da 65ª Esquadra da PSP na Brandoa.
• 2002 - Aprovação do PROQUAL (Programa Integrado de Qualificação das Áreas Suburbanas da Área Metropolitana de Lisboa) para a Brandoa - requalificação sócio urbanística.



2 comentários:
as coisas que eu aprendo neste blog!
realmente... não sei onde isto vai parar! :P :)
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